domingo, 6 de fevereiro de 2011

Cisne Negro - queimando neurônios



Sou uma péssima espectadora de filmes tensos. Fico de olhos fechados a maior parte do tempo porque não aguento sentir ansiedade nem pressão. Que covarde, né? Mas, mesmo sem talento para ser cinéfila, eu tenho que admitir que fiquei martelando o que vi de Cisne Negro, tentando montar conjecturas e fazer alusões com questões que afligem o ser humano. Resumindo: só queria entender as metáforas. Para isso, dei uma olhada na internet e achei algumas críticas bem interessantes que discorrem sobre o roteiro. Uma delas, da revista New Yorker, menciona um antigo arquétipo cultural muito estudado por Freud, chamado Doppelgänger - também traduzido em português como a experiência de encontrar seu próprio Duplo.

Bem, não vou me meter a besta para escrever aqui sobre psicanálise. Mas, pelo que entendi, o Duplo é o nome dado ao nosso "eu" mais íntimo e profundo, do qual somos separados ao nascer e que fica reprimido em nós ao longo da vida - dominando nosso subconsciente. Segundo Freud, só voltamos a nos sentir completos no momento da morte, que é quando a consciência se une ao Duplo e nos sentimos novamente parte de um todo, como no ventre materno. Como é reprimido, o Duplo também é intenso, selvagem, visceral e livre de máscaras. (Não confiem tanto na minha explicação pois não entendo nada disso).

O encontro com o Duplo seria, a grosso modo, a experiência vivida pela personagem da Natalie Portman no filme. Um encontro que explode e afeta a consciência, fazendo com que a pessoa em questão não tenha mais a percepção do que é real ou não. Várias releituras do encontro com o duplo foram feitas na literatura, como o Retrato de Dorian Gray (de Oscar Wilde), o Médico e o Monstro (The  Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde, de Robert Stevenson)  - ou até mesmo na mitologia, com o próprio Narciso. O ponto em comum entre eles é que, invariavelmente, durante o conflito com o Duplo, o indivíduo acaba enloquecendo e, ao tentar exterminá-lo, acaba matando a si próprio. Achei uma analogia interessante e que vale a pena debruçar sobre durante algumas conversas.

Vou colocar aqui alguns links que podem prolongar a discussão.

Crítica da New Yorker
Crítica do The New York Times
Doppelgänger
O Duplo

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Episódio do South Park sobre o Facebook! Assistam!!


http://www.southparkstudios.com/full-episodes/s14e04-you-have-0-friends

domingo, 9 de janeiro de 2011

Huffington Post

No final do ano passado, fiz minha primeira matéria pro Huffington Post! Queria compartilhá-la aqui.

So, you want to be a journalist?

Quero ser como a Eliane Brum

O título inocente desse post não é por acaso. Não é movido por nenhum "fanatismo" ou desejo infantil de alcançar aquilo que uma pessoa já alcançou. É apenas uma homenagem. Afinal, partindo-se do pressuposto de que grande parte de nós não sabe nem mesmo o que é ser nós mesmos, impossível seria saber como é ser outra pessoa. Mas, profissionalmente, a Eliane Brum é o modelo de jornalista que grande parte das pessoas que entraram na escola de comunicação sonha ser (homem ou mulher).

Raríssimas se inscrevem no vestibular de jornalismo com a ânsia de ser "grandes" jornalistas de economia ou negócios. Jornalista, geralmente, escolhe a profissão por uma paixão que ele mesmo não sabe o que é. E qual paixão economia ou negócios pode despertar em um ser humano? Difícil imaginar. Apesar de gostar de ambos os temas e ter de digeri-los diariamente na redação, não posso dizer que sou apaixonada por isso.

Pois bem. Alguns entram no jornalismo apaixonados por esporte, outros por cultura e há ainda os que - por uma ideologia por vezes chata de tentar mudar o mundo - querem ser jornalistas de política. No final, terminam em Brasília amargos e carrancudos, criticando a Deus e o mundo, com a certeza de que o Brasil não tem jeito mesmo. Outros se tornam, ironicamente, assessores de políticos.

Tirando essas opções, todo o resto quer fazer reportagem - de qualquer coisa. Desde contar histórias de vítimas de enchentes, mendigos da Praça da República, histórias de doentes terminais, eleições presidenciais, tragédias como o 11 de setembro, até fazer séries de reportagens em locais inócuos como o Laos. Jornalista é apaixonado por descobrir histórias que, na visão dele, ninguém ainda contou. E é isso que a Eliane Brum faz tão bem. E é por isso que ela foi tão premiada.

Lia algumas de suas reportagens na revista Época e sempre ficava semanas assimilando aquelas histórias e aquelas pessoas que ela retratava. Mas como não era (e não sou) uma leitora assídua de títulos semanais, não posso dizer que a Eliane Brum despertou minha atenção ali. Foi mesmo no início de 2010, quando um amigo me indicou sua coluna na internet, que eu passei a acompanhar com mais proximidade o seu trabalho. Ela não tem uma prosa sofisticada, não aborda temas desconhecidos e nem cita Nietzsche, Sartre ou Sylvia Plath a cada ponto final. Ela escreve de maneira simples, sobre temas cotidianos, mas que remexem com os clichês culturais que aprendemos ainda crianças e nos acompanham ao longo de toda vida. Eliane Brum pensa. Pensa diferente do padrão. E, em vez de transmitir ao leitor o seu pensamento, ela o instiga a pensar por si só. Pensar sobre o simples que, na maioria das vezes, é o mais complicado.

E o mais curioso é que, ao longo de suas colunas, ela abre muito de sua própria história - com incômoda profundidade - ao ponto de o leitor se perguntar "será que ela precisava mesmo ter contado isso ?". E precisava. A questão é que mesmo contando, sem pudor, ela continua inacessível. Não participa de mídias sociais, não responde emails de leitores e nem comentários em suas colunas. Colegas jornalistas que já trabalharam com ela me disseram que ela é extremamente tímida. Fácil imaginar o porquê. Pessoas abertas demais na vida cotidiana jamais conseguiriam se abrir de verdade nos textos que escrevem.

Quando digo que quero ser como ela, não me refiro a contar histórias como ela conta, e sim enxergar o mundo com a clareza que ela (aparentemente) enxerga.
 

domingo, 19 de dezembro de 2010

Diário da abstinência 2

Quase dois meses fora de redes sociais e as mudanças continuam acontecendo. A sensação de estar 'perdendo algo' passou completamente e não me sinto mais por fora dos acontecimentos, como ocorria no início. Tiro menos fotos - muito menos! Aliás, praticamente nem uso mais minha câmera. E me dá uma preguiça gigante de enviar fotos por email para amigos... por isso acabo não tirando para não ter que ouvir os pedidos ou ser chamada de chata por não enviar nada.

Também sou chamada, com uma certa frequência, de sumida. Isso me irrita muito pois significa que a presença do meu avatar comentando em status de amigos era o mesmo que a minha presença real - e não é! Mas esse parece ser o preço que temos que pagar quando estamos em busca de relações mais consistentes com as pessoas. Sair das redes sociais me fez intensificar relações com amigos mais próximos e distanciar-me daqueles que já não são tão presentes na minha vida. Não que eu não os ame da mesma forma. Mas agora consigo separar muito melhor as pessoas que realmente fazem parte do meu cotidiano, das que não.

De forma prática, não sinto falta do Facebook, ignoro o Foursquare, mas devo confessar que o Twitter me faz falta. Todos os dias, quando faço alguma reflexão, critico ou elogio algo, ou leio uma matéria legal, invariavelmente tenho vontade de dividir isso com as pessoas no twitter. Não sei porque isso ocorre. Será que é uma vontade genuína ou apenas um último estágio de abandono do vício? Vou esperar mais um pouco para ver como as coisas se desenvolvem. Se a vontade não passar, acho que vou voltar a 'tuitar'.

Gostaria de usá-lo de uma forma profissional, divulgando minhas matérias, mas sem parecer institucional demais. Como achar o equilíbrio? Help me, please!!

No trabalho, a mudança continua brutal. Menos tempo dedicado ao Facebook significa uma coisa a menos para tirar minha concentração, o que se converte em mais foco e maior produtividade. E, como sempre, quanto mais produzimos, mais é exigido de nosso trabalho. Ou seja, muito mais trabalho, cansaço mental e pouca vontade de escrever no blog =(.

sábado, 27 de novembro de 2010

Tropa de elite 24 horas na TV



Tenho acompanhado, de maneira superficial, o BBB da guerra entre polícia e tráfico no RJ. Não tenho entendido muita coisa. Nada faz muito sentido. Mas, pelo pouco que li sobre o tema, pude perceber que não se trata - de forma alguma - de um ato organizado da polícia ou do exército para livrar a população do domínio dos traficantes.

Dei uma olhada na cronologia dos fatos e as coisas não se encaixam.
A história vendida pela imprensa é a seguinte: do nada, os traficantes acordaram de mau humor e resolveram queimar uns carros, ônibus, e fazer arruaça contra alguns postos policiais. Como troco, a polícia e o governo se irritaram e resolveram mover toda a força policial e do exército para "acabar com o poder do tráfico na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão". Aí a polícia entra em cena, invade o morro, mata civis e alguns bandidos, os traficantes fogem pra outro morro, a polícia vai atrás... e etc. Não sei para vcs, mas para mim não faz sentido.

Há um alinhamento histórico entre a polícia carioca e o tráfico - alinhamento esse que permitiu que o RJ se tornasse o principal centro de distribuição de drogas do país. O tráfico sempre existiu, a PM também, assim como o Bope e o exército. Por que exatamente agora eles decidiram coordenar esse ataque? Só porq os criminosos queimaram uns carros? Ora, os criminosos vêm, há décadas, matando milhares de pessoas, aliciando as favelas, promovendo arrastões, atacando postos policiais, pilotando toda a quadrilha de roubo de carros no RJ, e isso nunca foi suficiente para gerar essa revanche? O que, de verdade, disparou essa súbita vontade de `paz` da polícia?

Aí vem a TV e mostra toda a operação como se fosse um filme de mocinhos e bandidos. A população - grande vítima dessa guerra de egos entre polícia e tráfico - é vista como coadjuvante. A TV mostra tiroteios e civis gritando após levarem tiros e eu olho isso e fico estarrecida! Os veículos internacionais colocam o acontecimento em suas manchetes - e me dá uma vergonha sem fim!

E aí a apresentadora do telejornal diz, com a maior calma: 'Vão invadir o morro do alemao a qualquer momento' - o que significa que mais gente inocente vai morrer e mais bandidos vão fugir, porque obviamente não vão ficar no morro esperando os tanques chegarem.

E a grande ironia dessa história é que eles - esses coadjuvantes que moram na favela e levam tiros - somos nós. Quando os tentáculos do tráfico e da corrupção policial saem da favela e chegam à classe média, nossos carros são roubados, nossos prédios assaltados, os sequestros acontecem e - eventualmente - nós também morremos. Mas o engraçado é que, ao olharmos pela TV essa tal guerra, sentimos revolta pelo Brasil, mas também sentimos alívio por estarmos em nossas casas, falsamente protegidos, assistindo a tudo isso pela TV a cabo, e, quem sabe, tomando uma bebida. Quando cansamos do filme, mudamos de canal. Mas, nesse caso, não adianta pegar o controle remoto. Eles, que estão lá dormindo com uma sinfonia de fuzis, somos nós.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Por que achamos as coisas bonitas ou não?

Denis Dutton: A Darwinian theory of beauty | Video on TED.com

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Diário da abstinência

Creio que deve fazer mais ou menos 3 semanas que saí do Facebook e gostaria de relatar aqui como tem sido meu processo de rehab.

A questão mais brutal é a queda no número de emails. Praticamente não recebo mais. Só me chegam aquelas promoções de peixe urbano e afins, fastshop, submarino e uma ou outra newsletter que assino. Fora isso, passo horas sem receber um email pessoal sequer. Em contrapartida, tenho escrito emails para amigos... e assim tenho recebido respostas. Tenho escrito para amigos distantes e que, por tê-los no Facebook, achava que mantínhamos contato. Mas, na realidade, ver suas atualizações não era suficiente para que eu soubesse como eles estavam de verdade. Por email o diálogo tem sido mais rico, apesar de requerer um intervalo maior de tempo entre uma mensagem e outra.

Por outro lado, tenho aproveitado mais as possibilidades do iPhone. Baixei um aplicativo de mensagem pelo qual posso enviar SMS para amigos que tem iphone ou blackberry sem pagar nada, estejam eles no Brasil ou na China. Dá pra mandar foto também.. uma maravilha. Também me indicaram (coisa do @markmark7) um aplicativo que aplica efeitos de photoshop em imagens. Pode parecer banal para quem já tem, ou ridiculamente inútil para quem não usa, mas para mim tem sido divertido explorar mais o iPhone e, consequentemente, o Itunes e o Ping (a rede social de música da Apple). Minha amiga @dimorais me disse que estou em busca de outras formas de comunicação. Talvez esteja, mas o foco dessa busca por comunicação é outro. Tenho me comunicado exatamente com aquelas pessoas com as quais tenho vontade de me comunicar.

Quase não acesso mais o youtube. Como não recebo mais, via redes sociais, links daqueles vídeos engraçados, acabo entrando muito pouco. Às vezes, alguém me manda algum por email ou msn, mas é raro.

Tenho entrado mais no blog e postado mais, ainda que em uma frequência muito aquém da que eu gostaria.

Entro bem menos no twitter e tenho tido menos vontade de compartilhar ideias, posts, matérias... Tudo isso tem me dado muita preguiça, inclusive. Mas isso também pode ser devido ao excesso de trabalho, que esgota boa parte da minha energia... Vou aguardar para ver.

Me disseram que estou sendo radical, retrógrada e boba ao levar adiante essa história - e que estou indo contra toda a convergência da comunicação. Pode até ser. Mas estou mais satisfeita assim. Tenho sentido necessidade de explorar coisas mais segmentadas, onde a exposição pessoal seja menor e mais afunilada. Essa rede da Apple, Ping, é interessante por isso. É possível compartilhar apenas música com pessoas que, pressupõe-se, gostam de música. Queria que houvesse uma rede sobre livros, sobre filmes..restaurantes..Pode até ser que já existam.. mas não conheço. Queria um espaço para jornalistas onde cada um pudesse organizar suas matérias em um arquivo online, acessível a todos e funcional. Seria incrível! Queria muitas coisas...